O Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril conforme o calendário da Organização Internacional do Café (OIC), é uma data para reconhecer a importância dessa bebida que conecta milhões de pessoas ao redor do planeta. Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial, a data tem um significado especial: é uma oportunidade de olhar para a riqueza e a diversidade que tornam o café brasileiro único.
A história do Dia Mundial do Café
A OIC instituiu o Dia Internacional do Café em 2015, escolhendo inicialmente 1 de outubro como data global. Entretanto, diversos países já celebravam datas próprias antes disso. No Brasil, 14 de abril foi estabelecido como Dia Nacional do Café, e muitos produtores, torrefações e cafeterias usam essa data para promover a cultura cafeeira nacional.
A escolha de abril não é por acaso. Em muitas regiões produtoras brasileiras, abril marca o início da colheita em áreas de altitude mais baixa, um momento de expectativa e celebração para os cafeicultores que passaram meses cuidando das lavouras.
O Brasil no cenário mundial
O Brasil produz aproximadamente um terço de todo o café consumido no mundo. Em números absolutos, são mais de 50 milhões de sacas de 60 quilos por ano, alternando entre safras maiores e menores no ciclo bienal natural do cafeeiro.
Mas a grandeza do café brasileiro não está apenas no volume. O país abriga uma diversidade de terroirs, microclimas e variedades botânicas que poucos países conseguem igualar. Do cerrado mineiro às montanhas do Espírito Santo, das chapadas baianas aos solos vulcânicos do Paraná, cada região imprime características próprias ao grão.
Principais regiões produtoras
Minas Gerais
Minas é o maior estado produtor, responsável por mais da metade do café brasileiro. Dentro de Minas, existem regiões com identidades bem distintas:
- Cerrado Mineiro: primeira região do Brasil a receber Denominação de Origem para café. Altitudes entre 800 e 1.200 metros, estação seca bem definida e solos profundos produzem cafés com corpo achocolatado, nozes e acidez moderada.
- Sul de Minas: a região com maior volume de produção do estado. Terreno montanhoso com altitudes variadas gera cafés que vão de encorpados e doces a complexos e frutados.
- Matas de Minas: região de Mata Atlântica com topografia acidentada. Os cafés tendem a ter perfil mais doce, com notas de caramelo e frutas maduras.
- Chapada de Minas: área mais recente no cenário de especiais, com altitudes elevadas produzindo cafés de acidez vibrante.
São Paulo
São Paulo foi o berço da cafeicultura brasileira em escala comercial. Embora tenha perdido protagonismo em volume, regiões como a Mogiana e a Alta Paulista continuam produzindo cafés de qualidade notável. A Mogiana, em particular, é conhecida por cafés equilibrados, com doçura pronunciada e corpo médio.
Espírito Santo
Segundo maior produtor nacional, o Espírito Santo se destaca tanto no arábica quanto no conilon (robusta). As Montanhas do Espírito Santo, com altitudes acima de 900 metros, produzem arábicas especiais com perfil floral e frutado. Já o conilon capixaba vem ganhando reconhecimento como matéria-prima para blends de qualidade e até como café especial por mérito próprio.
Bahia
O Planalto da Bahia, especialmente a região da Chapada Diamantina e o Oeste Baiano, surgiu como polo produtor nas últimas décadas. A altitude elevada, a irrigação controlada e o investimento em tecnologia resultam em cafés de pontuação alta, com acidez cítrica e floral.
Paraná
O Paraná tem uma relação histórica com o café, que foi motor econômico do estado no século XX. Geadas severas nas décadas de 1970 e 1980 reduziram drasticamente a produção, mas o Norte Pioneiro do Paraná vem reconquistando espaço com cafés especiais de altitude. A região de Foz do Iguaçu, embora não seja zona produtora, se beneficia da proximidade com a cultura cafeeira paranaense e com os países vizinhos, Paraguai e Argentina, criando um ponto de encontro único de tradições.
Variedades que fazem a diferença
A variedade botânica do café é um dos fatores mais determinantes no perfil de sabor da bebida. O Brasil cultiva dezenas de variedades, cada uma com características próprias.
Bourbon
Originária da Ilha de Bourbon (atual Reunião), essa variedade é considerada uma das mais nobres do mundo. Produz cafés com doçura elevada, corpo aveludado e notas que vão de frutas vermelhas a chocolate. É uma planta de produtividade menor comparada a variedades mais modernas, o que explica seu preço mais alto. Existe nas versões Bourbon Amarelo e Bourbon Vermelho, com sutis diferenças de perfil.
Catuaí
Resultado do cruzamento entre Mundo Novo e Caturra, o Catuaí foi desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) na década de 1960. É uma variedade resistente, produtiva e adaptável a diversas condições. Cafés Catuaí bem cultivados e processados podem atingir pontuações altas, com perfil equilibrado, notas de nozes, caramelo e acidez média. Existe nas versões Catuaí Amarelo e Catuaí Vermelho.
Mundo Novo
Outra criação do IAC, o Mundo Novo é um cruzamento natural entre Bourbon e Typica detectado na década de 1940 na cidade de Mundo Novo, interior de São Paulo. É uma planta vigorosa, de porte alto e alta produtividade. Seus cafés tendem a ter corpo robusto, doçura achocolatada e baixa acidez, um perfil que agrada paladares que preferem cafés mais encorpados.
Arara
A Arara é uma variedade relativamente nova que vem ganhando destaque nos concursos de qualidade. Desenvolvida pela EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), é um cruzamento entre Obatã e Catuaí Amarelo. Apresenta resistência à ferrugem, boa produtividade e, o mais notável, um potencial sensorial excepcional. Cafés Arara frequentemente exibem notas frutadas intensas, florais e acidez complexa.
Além das variedades tradicionais
O cenário de cafés especiais no Brasil está em constante evolução. Variedades como Gesha (ou Geisha), originária da Etiópia e famosa por seu perfil floral exuberante, estão sendo cultivadas experimentalmente em algumas fazendas brasileiras. Paralelamente, programas de melhoramento genético continuam desenvolvendo variedades que combinam resistência a doenças com qualidade sensorial elevada.
O que você pode fazer no Dia Mundial do Café
- Experimente algo novo: se você sempre toma o mesmo café, prove uma variedade diferente ou um método de preparo que nunca testou.
- Conheça a origem: leia o rótulo do seu café. De onde ele vem? Qual a variedade? Como foi processado? Essas informações contam uma história.
- Valorize o produtor: café especial de qualidade exige trabalho, conhecimento e investimento. Optar por cafés com rastreabilidade e pagar um preço justo é uma forma de sustentar toda a cadeia.
- Compartilhe: convide alguém para tomar um café e converse sobre o que está na xícara. A cultura do café se fortalece quando é compartilhada.
Diversidade que inspira
O Brasil não é apenas o maior produtor de café do mundo. É um país onde a diversidade geográfica, climática e botânica se traduz em uma paleta de sabores praticamente infinita. Celebrar o Dia Mundial do Café é celebrar essa riqueza, que vai da lavoura até a xícara.
Venha ao Consciência Café e celebre o Dia Mundial do Café provando variedades brasileiras de diferentes regiões. Cada xícara conta uma história diferente.